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Entenda o lipedema

Estágios e tipos de lipedema: o que significam na prática?

Os estágios descrevem como a pele e o tecido mudam: no estágio 1 a pele é lisa, com tecido mais nodular por baixo; no 2, a pele ganha covinhas e os nódulos ficam maiores; no 3, o tecido fica mais fibroso, com nódulos grandes e lóbulos que pendem. Algumas classificações descrevem um estágio 4, o lipolinfedema, quando o linfedema surge como complicação do próprio lipedema. Os tipos descrevem onde o acúmulo aparece. Nem estágio nem tipo medem a dor, e quem define é um profissional.

Em resumo

  • Estágio fala da pele e do tecido, não da intensidade da dor
  • Tipo fala de onde o acúmulo aparece
  • Uma pessoa em estágio inicial pode ter muita dor
  • A classificação é feita no exame físico, não por foto

Os estágios

Os estágios olham para a pele, para o tecido logo abaixo dela e para o formato das pernas. Em cada desenho, à esquerda, as pernas vistas de costas; no círculo, a pele de perto: a linha de cima é a superfície, e as formas lilás, o tecido nodular por baixo.

  • Estágio 1

    Pernas vistas de costas, com quadris e coxas um pouco mais cheios e contorno liso. No círculo, a pele de perto: superfície lisa e pequenos nódulos no tecido abaixo dela.

    Superfície da pele lisa, com tecido adiposo aumentado e mais nodular por baixo.

  • Estágio 2

    Pernas vistas de costas, com quadris, coxas e panturrilhas mais cheios, contorno irregular, almofada na parte interna do joelho e um pequeno degrau no tornozelo. No círculo, a superfície da pele ondulada e nódulos maiores e mais numerosos.

    Pele com covinhas, mais tecido e nódulos maiores e mais numerosos, que dá para sentir ao toque.

  • Estágio 3

    Pernas vistas de costas, com muito mais volume, lóbulos de tecido nas coxas e nos joelhos e degrau acentuado no tornozelo; pés finos. No círculo, dobras acentuadas na superfície e agrupamentos maiores de tecido nodular.

    Mais tecido, mais fibroso, com nódulos grandes e lóbulos que pendem sobre a pele.

  • Estágio 4

    Pernas vistas de costas com o mesmo formato do estágio 3, mas com pés e tornozelos inchados e gotas em azul-petróleo representando linfedema associado. No círculo, as mesmas dobras e lóbulos, com as gotas no tecido.

    Usado em algumas classificações: lipolinfedema, quando o linfedema surge como complicação do próprio lipedema. Diferente do lipedema, que costuma poupar os pés, o linfedema pode atingi-los. O Consenso Brasileiro trata o lipolinfedema como estágio só nesse caso.

À esquerda, as pernas vistas de costas. No círculo, a pele de perto: linha ameixa é a superfície, formas lilás são o tecido nodular. Gotas em azul-petróleo: linfedema associado. Esquemas fora de escala, sem indicar uma evolução obrigatória. Não servem para se classificar: o estágio é definido no exame físico, pelo toque e pelo histórico.

Os tipos

Os tipos olham para onde o acúmulo aparece. Em destaque, e com mais volume, a região descrita em cada tipo.

  • Silhueta esquemática de costas, com quadris, nádegas e o alto das coxas mais volumosos e destacados em ameixa e hachuras; o resto do corpo fino e sem destaque.

    Tipo I

    Abaixo do umbigo, quadris, nádegas e o alto das coxas.

  • Silhueta esquemática de costas, com os quadris e as coxas até os joelhos mais volumosos e destacados, e almofada na parte interna do joelho; pernas abaixo dos joelhos e pés finos e sem destaque.

    Tipo II

    De abaixo do umbigo até os joelhos.

  • Silhueta esquemática de costas, com as pernas inteiras, dos quadris aos tornozelos, mais volumosas e destacadas, e um degrau logo acima do tornozelo; pés finos e sem destaque.

    Tipo III

    De abaixo do umbigo até os tornozelos.

  • Silhueta esquemática de costas, com os dois braços mais volumosos e destacados dos ombros aos punhos, tecido sobrando no cotovelo e degrau no punho; mãos finas e sem destaque.

    Tipo IV

    Braços. Costuma aparecer junto com o tipo II ou III.

  • Silhueta esquemática de costas, com só a parte entre os joelhos e os tornozelos mais volumosa e destacada, e um degrau logo acima do tornozelo; coxas e pés sem destaque.

    Tipo V

    Só a parte de baixo das pernas.

Vista de costas. A região descrita aparece com mais volume, em ameixa com hachuras. Os tipos podem se combinar, e pés e mãos costumam ficar de fora. Esquemas fora de escala, só para ilustrar a distribuição.

O que a classificação não diz

Estágio não é medida de sofrimento. Há pessoas em estágio 1 com muita dor e pessoas em estágio 3 com pouca. A classificação ajuda a descrever o quadro e a planejar o cuidado, mas não resume a sua experiência.

Por isso não vale tentar se classificar por fotos: a avaliação depende do toque, do histórico e da diferenciação de outras condições.

O que sabemos e o que ainda não sabemos

O que sabemos

  • Os estágios descrevem alterações de pele e tecido observadas no exame físico
  • Os tipos ajudam a descrever a distribuição do acúmulo

O que ainda não sabemos

  • Como e em quem o lipedema progride de um estágio para outro
  • Por que duas pessoas no mesmo estágio podem ter níveis de dor tão diferentes

Quando procurar avaliação profissional

  • Se você percebe mudanças na textura ou no volume ao longo dos meses
  • Se o inchaço começou a atingir pés ou mãos
  • Se a dor aumentou ou passou a limitar sua mobilidade

Perguntas frequentes

Estágio 3 é mais grave que estágio 1?+

Descreve mais alterações de pele e tecido, mas não necessariamente mais dor. A gravidade para você depende também dos sintomas e da limitação no dia a dia.

O estágio pode diminuir?+

O tratamento conservador pode aliviar dor e inchaço, mas não remove o tecido do lipedema. Segundo a diretriz americana, só a cirurgia remove esse tecido, e ela tem indicação e riscos próprios. Converse com o profissional sobre as expectativas no seu caso.

Fontes